terça-feira, 11 de setembro de 2007

PILONEL - FORMULA 1

CORRIDA DE FÓRMULA UM

Creio que era o ano de 1972. O isolado lotado! O mês, não me lembro, mas aconteceria em Interlagos, num determinado fim de semana, uma corrida de FORMULA 1. Nosso amigo, Pilonel (Felix Pereira), era professor da Faculdade local e, como não podia deixar de ser, queridíssimo pelos alunos.
Piló se empolgou com a iminente corrida, reuniu sua turma de alunos, e programou uma viagem a SP para assisti-la. Fretou um ônibus, achou que estava tudo resolvido, e não tomou outras providências corriqueiras. A saída seria num sábado à noite, pois o tão esperado evento aconteceria no domingo. Naquele sábado, pediu-me para deixá-lo na rodoviária de Itabira, no que prontamente lhe atendi. Chegamos por volta de 19:00 horas, e ali já estavam reunidos seus pupilos, cerca de uns vinte; homens e mulheres empolgadíssimos, com suas pequenas malas de viagem, máquinas fotográficas e gravadores (queriam gravar o ronco dos motores).






Nisto, chegou o tal ônibus alugado. Olhei meio desconfiado para aquele veículo desconjuntado, meio trêmulo, queimando óleo, mais para ferro-velho que lotação... mas, tudo bem, pensei! Afinal de contas, nosso amigo devia saber onde estava se metendo.




Assisti emocionado ao “feliz” embarque e retornei ao Isolado. Ia me preparar para um baile no clube do Valério do Pará (luz negra, garotas; tempo bom!).
Mas voltando ao assunto: o ônibus partiu sacolejante, soltando baforadas e fumarolas, pela estreita e sinuosa estrada de Itabira a BH. Quando chegou ao posto de fiscalização, quase na entrada da capital, por volta das 22:00 h, foi compreensivelmente detido pelos fiscais que solicitaram os documentos do veículo e do sonolento condutor.

O leitor atento já deve ter percebido o desenlace do episódio: a documentação estava incompleta e a “espaçonave” ficou detida ali mesmo, impedida de “decolar” rumo ao brilhante porvir. Imaginem a frustração da turma! Porém o nosso Super Herói, não se deu por vencido. Vestindo sua capa mágica, rapidamente resolveu o problema.








Alugou (como sempre "bancando" do bolso dele) cinco táxis, sendo três opalas semi-velhos e dois fuscas carroçáveis; e mandou tocar, com os alunos dentro, para Interlagos – SP. No meio da viagem, um dos carros furou um pneu em lugar deserto e, ao que parece, estava sem estepe. Foram a pé procurar borracheiro. Resolveram o problema. Prosseguiram viagem. Mais pra frente, um dos opalas (o mais velho?) pega fogo no motor, sendo logo “imitado” por outro menos idoso. Mas nada impede a marcha triunfal de nosso intrépido líder e mestre.



Outros imprevistos foram acontecendo na malsinada expedição, de tal (falta de) sorte que chegaram a Interlagos depois do término da ansiada corrida. Se o Rubinho Barrichelo estivesse na disputa, talvez eles ainda chegassem a tempo de presenciar suas últimas voltas pelo circuito. Não estava. Mas Piló não se dá por vencido. Caminha ereto e audaz, seguido pelo séqüito de impávidos discípulos; vai até os boxes onde os carros estavam sendo examinados, etc.

Alguns ainda com os motores ligados. Pasmem vocês! Não é que Piló gravou, ali mesmo, ante a estupefação dos mecânicos e pilotos, aquela ronqueira doida dos motores? Gravou e retornou com o pessoal no que ainda “restava” dos carros alugados.
Chegou a Itabira, na segunda-feira cedo, e me relatou todas as peripécias da incrível aventura. Fiquei ali, ouvindo consternado, pesaroso pelo acontecido com a turma dele. Mas ao que parece, ele não tava nem aí. Terminou o relato, levantou-se fagueiro e lépido e falou:

– Bom, Closiu (meu apelido). Estou de volta para São Paulo. Vou ver meus parentes em Lins, no interior.

Então perguntei-lhe porque não fora de Interlagos direto para Lins; a distância teria sido muito menor. Ele retrucou-me que não podia ter feito isso porque tinha que trazer de volta seus os alunos sãos e salvos.
Despediu-se, virou as costas magras e se mandou de novo para “Sampas”. Só mesmo o Piló!
Quando retornou, três dias depois, passou a colocar as fitas com a ronqueira dos motores, toda santa-manhã, para tocar na hora do café.

Era o grande Piló e suas aventuras que nos divertia, e muito!

Grande amigo de todas as horas. Mas que era divertido, lá isso era!



Enviada por: Cloysio Ulrich de Souza (10/9/2007)
Retocada por: Jota Ramos




SO PARA COMPLETAR UM TEXTO ESCLARECEDOR

A PRIMEIRA CORRIDA DE FÓRMULA 1 NO BRASIL - 1972

Por Carlos "Caneta 13" Coutinho




Ninguém estava preocupado com isso naquele sábado de março de 1972. A verdade é que mal os treinos acabaram e o sol começou a cair no autódromo agora silencioso, a tensão da espera, a viagem de ônibus, a emoção de ver a Formula 1, tudo aquilo começou a cobrar seu tributo. Fui ficando fraco e tonto, mas felizmente os cataninenses/paranaenses me convidaram a dormir na barraca, talvez não querendo perder as dicas daquele cara do interior que sabia tudo de Formula 1 ou, pelo menos, bem mais do que eles. Dormi ao lado de uma lata de atum aberta que permaneceu durante meses na minha memória olfativa. Mas o convite foi espetacular. Se algum de vocês estiver lendo este texto, rapazes, muito obrigado por tudo.

A corrida foi o que se sabe. Emerson, o pole, liderou da primeira até a volta número 33, com vinte segundos de vantagem para o Reutemann, quando rodou quase em frente aos boxes no meio de uma nuvem branca de fumaça de pneus ­ eu estava acompanhando de binóculo a Lotus preta e dourada precisamente naquele instante ­ e o Reutemann venceu a corrida, Wilsinho foi o terceiro e Luis Pereira Bueno o sexto. Se fosse uma prova válida para o campeonato, ele marcaria seu primeiro ponto em sua primeira corrida.

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