A melhor coisa do mundo
A reunião com os compradores de minério se estendia, na Divisão Comercial. As últimas cláusulas do contrato eram arduamente discutidas e então datilografadas, de modo que sua assinatura pudesse ocorrer em seguida, antes que os estrangeiros, já um pouco atrasados e bastante impacientes, partissem para o aeroporto.
É claro que o Superintendente Jurídico da Vale, figura das principais naquela hora, não podia pensar em se ausentar, nem mesmo para ir ao banheiro. Tudo terminado, o pessoal gentilmente acompanhado até o elevador, o advogado, que quase não se agüentava mais, e julgando as despedidas intermináveis, exultou quando as portas se fecharam e ele pôde disparar para o banheiro mais próximo, o do corredor.
Finalmente soltava um suspiro e se aliviava, em um dos vários mictórios, quando entra, também desesperado para fazer o mesmo, o funcionário que cuidara da datilografia e das cópias do contrato. Já quase totalmente livre do aperto, o advogado esquece sua natural sisudez, e lhe diz, alegremente:
_ ”Puxa, Fulano, isto é a coisa mais gostosa do mundo, não acha?”
Bastante surpreso com a intimidade nunca antes demonstrada, mas talvez principalmente estranhando a preferência do advogado, o funcionário olha, desconsolado, para o forte jato que também está emitindo, e pondera, entre respeitoso e desconfiado:
_ ”Olha, doutor, o senhor me desculpe, mas ou eu mijo muito mal, ou o senhor nunca transou !”
“Causo” verídico contado por Guilherme Almeida Gazzola
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