quinta-feira, 4 de outubro de 2007

A EXPULSÃO POÉTICA



A expulsão poética

Cenário: década de 70 –

“Boom” da Bolsa.

Todo mundo ganhando muito dinheiro com ações.
Ninguém se preocupava em comprar carro, apartamento ou qualquer outro bem de capital ou de consumo.
Havia aqueles mão-de-vaca que nem saiam do Isolado para não gastar dinheiro. Tudo era investido na bolsa.
Havia até alguns malandros que pagavam sua cota de rateio do Isolado com atraso só para ganhar alguns cobres a mais na bolsa.

Para Administrar o ISOLADO havia um cargo de elevada relevância, apenas alguns degraus abaixo de ser presidente da república... era ser presidente do Isolado.

O primeiro mandatário do Isolado era o senhor absoluto das decisões sobre a tão querida Olinda e as demais serviçais, sobre a distribuição dos aposentos, sobre o "budgeting”, etc.

Naquela época, assumiu a presidência o Arilto, que era "da DO"... como dizia Olinda.

Bem, o referido presidente, alto especulador da bolsa, recolheu o dinheiro das cotas de rateio e, ao invés de pagar as contas do "Magalhães" do "Bar Cinédia", do "Armazém do Seu Aloísio" (aqui abro um parênteses: a filha do Seu Aloísio, a Pitucha... linda e inalcançável... quantas homenagens solitárias a ela fizemos, no isolamento de alcova...).

Bem, deixemos os devaneios e voltemos ao causo em voga: ... O presidente da república do Isolado, resolveu ganhar uns cobrezinhos não pagando as contas e investindo na bolsa. O negócio ficou tão sério que o Isolado começou a perder o crédito na cidade, a ponto de começar a faltar as coisas.

Ao questionarmos Olinda o porquê da falta, fomos comunicados que o Isolado não havia cumprido com seus compromissos... ESTAVA DEVENDO À PRAÇA.

Quando soubemos, ficamos P da vida, mas a gente do Isolado era ordeira e de paz...

Ao invés de meia dúzia de porradas, que é o que o presidente merecia, preferimos admoestá-lo com poesia. Ao chegarmos para o almoço, no quadro de avisos lá estava a ODE AO PILANTRA.

Foi uma grande pena que não guardamos cópia de tão preciosos versos, dos quais lembro-me apenas de uma quadra:

"O sovina mal caráter
Por quem não morro de amores
Qualquer dia vende a mãe,
Lá na bolsa de valores... "


Deu até empurra-empurra para ler os versos no quadro de avisos... cada um que lia, era uma gargalhada... estávamos vingados !!!

Ao chegar para o almoço, Arilto ficou muito P da vida... arrancou o papel e rasgou-o em 999 pedaços... (só não digo em mil, para não parecer mentiroso) e foi para o quarto deixar sua pasta. Quando voltou... surpresa... havia outra copia, que também rasgou... A cada copia rasgada... e de imediato aparecia outra.

Não tendo alternativa, foi queixar-se ao Renato Moretzon, chefe "da DO", que vendo a incompatibilidade criada, resolveu montar uma republica dissidente, no centro da cidade, (Rua Guarda-Mor Custódio, 170) para lá levando seus pupilos: Ariltão, Paulo Rui "risquindin", Bispo, Zé Oswaldo e os outros, cujos nomes agora não me lembram.

Mais tarde surgiu uma canção que dizia:
"Para lutar, com sangue, eu não, com uma canção, também se luta, irmão...".
E nós completaríamos: com uma poesia também...

Enviado por Sérgio Antônio da Silva Guimarães.