quinta-feira, 6 de setembro de 2007

CHUTOU O PAU DA BARRACA

Prêmio de Aposentadoria

Esta estória se passou nos anos 60, bem antes da tão esperada criação da Valia.
Os empregados não se aposentavam, para não se verem reduzidos aos magros benefícios do “Instituto”. A VALE, para conseguir alguma renovação em seus quadros, criava incentivos para motivar a saída dos mais idosos, por exemplo com o “prêmio de aposentadoria”, de generoso meio salário por ano de casa.

“Seu” Tonico, completando 44 anos de CVRD, se interessou pelos 22 salários a mais que receberia, e pediu a aposentadoria. Ele era um dos contínuos que serviam a Diretoria, talvez o mais serviçal, humilde, obsequioso, e mesmo bajulador, dentre todos os seus colegas. Reconhecendo suas qualidades, e agradecidos pela gentileza com que sempre foram por ele tratados, alguns dos diretores resolveram patrocinar uma festinha de despedida.

Foram compradas algumas garrafas de champanhe e uma linda torta bem confeitada. “Seu” Tonico acompanhou com alegria e sofreguidão todos os brindes, que eram erguidos com a chegada de cada um dos diretores à sua festinha.

Finalmente, o diretor mais antigo fez o discurso de despedida, e entregou ao “seu” Tonico o tão cobiçado, rico e polpudo envelope com o prêmio em dinheiro. Mas terminou com uma brincadeira de gosto duvidoso:

_ “Olha aí, ”seu” Tonico, com esta grana toda, se o senhor quiser, quem sabe consegue até fazer um programa com a vedete fulana de tal ?”

O até então sempre respeitoso “seu” Tonico, não se sabe se inebriado por tanto champanhe, ou se, realmente cansado dos longos anos de servilismo e adulação, pensou um pouco, guardou o dinheiro bem no fundo do bolso, e sentindo-se finalmente aposentado e livre, pôs o braço em torno dos ombros do diretor e “chutou o pau da barraca”:

_ “Olha, doutor, acho que com essa grana toda, se eu quiser, faço um programa até com o senhor!”


“Causo” verídico (com nome fictício) contado por Guilherme Almeida Gazzola,

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