Zé do Trem e o “Itabirão”
Zé do Trem, engenheiro civil, era engenheiro da Estrada. Nos meados dos anos 70, ainda não chamava “ SUEST”.
Um dia o rapaz recebeu uma carta supostamente enviada pela Prefeitura, convidando-o para uma reunião a respeito do futuro Estádio Municipal de Itabira.
Junto à carta estava um projeto de um campo de futebol, em papel vegetal, num daqueles canudos de papelão. A assinatura era ilegível, mas dava para perceber um “Andrade” no nome, indicando ser de alguém de família influente na cidade.
Tratava-se de um convite/proposta para ele conduzir a obra. Pedia sigilo, pois algum outro engenheiro poderia ficar magoado por não ter sido escolhido para a gloriosa missão.
A reunião estava marcada para o início da noite, na Prefeitura, e parece que teria um tipo e recepção festiva depois.
Naquela tarde o Zé chegou do trabalho sério, sem muita conversa. Deixou o canudo que trazia debaixo do braço no quarto, voltou para a mesa redonda, comeu alguma coisa e voltou calado para o quarto. Nenhum dos colegas fez algum comentário.
Mais tarde, o rapaz saiu do quarto de terno – que não era vestimenta comum na época – pegou o fusquinha e saiu em silêncio.
Alguns minutos depois cada morador do Isolado pegou seu carro e foi saindo, com um pequeno intervalo entre um e outro, num tipo de caravana, com o mesmo destino.
Em frente à prefeitura estava o Zé do Trem, canudo debaixo do braço, no escuro, andando de lá pra cá. O expediente havia se encerrado havia horas e estava tudo fechado, no escuro.
E todos com a mesma pergunta:
“Ô Zé, o que você está fazendo aí numa hora destas?”
Dizem que depois de umas 30 perguntas ele desconfiou que fora vítima de uma ligeira sacanagem.
Uma do Geólogo
Tinha um geólogo que não durou muito tempo na Vale. Vou deixar para outro contar outros casos dele. Vou contar só um:
O cara, que não me lembro do nome, era o verdadeiro jacu, todo cabreiro. Prato feito para sacanagens e gozações.
Na sua chegada ao Isolado lhe disseram que lá morava um viado que tinha uma mania: Se ficasse dando um tique nervoso com o pescoço para o lado é porque estava a fim do companheiro com quem estivesse conversando.
E, pra sacanear, ninguém se assentou na mesa redonda ao lado do meu saudoso primo, que depois chegou a ser o Diretor do HCC, e que às vezes tinha o citado movimento involuntário.
O geólogo chegou para almoçar e só tinha aquele lugar vago. Tomou assento e começou a servir-se. Aí chegou alguém e fez a apresentação entre eles. Os dois, então, começaram a conversar.
Logo, logo, o cara foi ficando incomodado, cabreiro, e de repente pegou seu prato e, todo desconfiado, foi terminar o almoço numa poltrona em frente à televisão.
Ernane Barlém
Gaúcho, tinha fama de não ser de muita conversa, não por agressividade ou coisa assim. Era timidez mesmo. Era um cara legal.
Uma vez notaram que ele tinha vários tapetes trazidos do Rio Grande do Sul, guardados desde longo tempo em cima do guarda-roupas do quarto dele. Alguém perguntou o que ele iria fazer com tudo aquilo. A resposta foi que ele havia trazido os tapetes para vender.
A pergunta veio logo: Você já anunciou que tem este material para vender?
E a resposta: Ainda não, eu falo pouco.
Noutra ocasião ele ficou alguns dias sem retornar ao trabalho depois das férias. O chefe dele, ao retorno, perguntou o motivo do atraso, dizendo estar preocupado com alguma coisa que pudesse ter acontecido. Ele respondeu que estava tudo bem, mas que tinha acontecido um probleminha que causou o atraso, mas estava tudo normal.
Veio a pergunta do chefe: Por que não avisou que ia se atrasar?
A resposta foi a mesma: Porque eu falo pouco.
Galinhada
Este caso aconteceu no Clubinho, mas a turma já tinha passado pelo Isolado.
Numa noite de sexta ou sábado, não sei mais, o Clubinho ficou vazio cedo, pois o tempo estava feio e frio.
Este caso vai pecar pela falta de detalhes, pois nosso estado etílico – de todos os envolvidos – digamos, não passaria num bafômetro. Éramos poucos, só consigo me lembrar do Dr. Erasmo, Marcos Paulo, Geraldo Caetano e mais um ou dois (que me perdoem a falta de memória).
Lá pelas tantas alguém sugeriu que fizéssemos uma galinhada. ” Com o que?” foi a pergunta. A resposta veio de imediato, e aprovada no ato: Vamos roubar umas galinhas.
Fomos capturar as penosas. Geraldo Caetano quis pegar a dele pessoalmente. Entrou pelo quintal, passando pelo do vizinho, e pegou a única galinha que ele tinha.
Weber, que morava dando os fundos para o Clube, contribuiu com duas, pois tinha várias no galinheiro.
Conseguimos umas cinco, sei lá quem mais cooperou. A cada exemplar a gente quase morria com aquele riso que não podia fazer barulho.
Na hora de executar as vítimas, alguém se lembrou de um especialista, e chamamos o Luiz Miranda. Ele se assustou com a hora, mas foi. Até reclamou da nossa incompetência, pois tinha um galo no meio, e iria demorar muito para cozinhar.
Algum tempo depois (horas), a galinhada ficou pronta. Já devia ser bem de madrugada.
Ligamos (também não lembro quem foi o cara-de-pau) para cada “fornecedor”, convidando-o para a ceia.
Acho que foram todos, inclusive alguns com as respectivas digníssimas. Foi a maior festa, todos rindo muito daquele programa diferente.
Quem se ferrou foi o Geraldo Caetano, pois a galinha dele era um daqueles pintinhos coloridos que davam para as crianças em feiras. A maioria destes pintinhos não resiste às brincadeiras das crianças e morre logo. Mas no caso dele a pintinha sobreviveu, e era a galinha de estimação do Vinicius, filho do Geraldo. Imaginem a bronca.
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Um comentário:
Gostei dos casos do Artur Pereira.
É assim mesmo que se começa, pelo primeiro passo. Espero que outros colegas sigam o exemplo.
sugiro que se alguém souber de mais algum dado sobre as histórias acima, que o forneça, para maior riqueza da história .
josé maria ramos
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